1. Impacto da Investigação sobre Powell e o Fed
A investigação criminal envolvendo Jerome Powell representa um evento sem precedentes na história moderna do Federal Reserve e está gerando ondas significativas nos mercados globais:
Impacto nas Perspectivas de Inflação:
- A incerteza institucional no Fed pode comprometer a credibilidade da política monetária, o que historicamente leva a prêmios de risco inflacionários mais elevados
- Mercados podem antecipar menor eficácia na ancoragem de expectativas inflacionárias, especialmente se houver mudanças na liderança do Fed
- A fuga para ativos reais (ouro em máximas históricas) sinaliza desconfiança na capacidade das autoridades monetárias manterem estabilidade de preços
Impacto nas Perspectivas de Juros:
- Paradoxalmente, a crise de confiança pode paralisar decisões de política monetária, mantendo juros elevados por mais tempo devido à inércia institucional
- Há risco de que o Fed evite movimentos agressivos (cortes ou altas) durante o período de investigação, prolongando a taxa terminal atual
- Investidores estão precificando maior volatilidade na curva de juros, com ampliação dos spreads de crédito
Implicações para Mercados Emergentes (Brasil):
- O enfraquecimento do dólar oferece alívio temporário para emergentes, mas a aversão ao risco global contrabalanceia esse efeito
- O Banco Central brasileiro pode manter juros elevados por período prolongado (como indicado na ata do COPOM), especialmente se a incerteza externa persistir
- Fluxos de capital para Brasil podem permanecer voláteis até resolução da situação

2. Níveis Atuais dos Principais Índices
Brasil:
- Ibovespa: Sessão de hoje com leve alta, recuperando parte das perdas recentes. O índice havia recuado mais de 2% em pregão anterior, refletindo tanto fatores externos (payroll EUA) quanto domésticos (sinalização de juros altos prolongados pelo BC)
Estados Unidos:
- Expectativa de volatilidade elevada nos três principais índices (S&P 500, Nasdaq, Dow Jones) devido à crise no Fed
- Analistas alertam para concentração de risco em grandes ações de tecnologia com valorizações descoladas dos fundamentos
- Movimento de realização de lucros em posições de maior risco
3. Tendências de Câmbio e Commodities
Dólar (USD):
- Enfraquecimento acentuado devido à perda de confiança na estabilidade institucional americana
- O Dollar Index (DXY) em trajetória de queda, beneficiando outras moedas globalmente
- Para o real brasileiro, há espaço para apreciação no curto prazo, mas fatores domésticos (fiscal, eleições 2026) limitam ganhos sustentados
Ouro:
- Atingiu níveis recordes históricos, confirmando seu papel tradicional de ativo refúgio em momentos de crise institucional
- Demanda elevada tanto de investidores institucionais quanto de bancos centrais
- Expectativa de manutenção em patamares elevados enquanto persistir incerteza sobre o Fed
Outras Commodities:
- Petróleo: Pressão mista entre aversão ao risco (queda de demanda esperada) e enfraquecimento do dólar (suporte a preços)
- Metais industriais: Sob pressão devido a preocupações com crescimento global
4. Newsletter – Destaques e Expectativas
DESTAQUES DE HOJE (12/01/2026):
Manchete Principal: Investigação criminal contra Jerome Powell abala mercados globais e leva ouro a máximas históricas
- Ibovespa registra leve alta com suporte de bancos, mas volatilidade permanece elevada
- Dólar enfraquece globalmente em meio à crise de confiança nas instituições americanas
- Ouro atinge níveis recordes como refúgio de investidores
- Aversão ao risco predomina: ações globais recuam

O QUE ACONTECEU ONTEM/SESSÕES RECENTES:
- Ibovespa caiu mais de 2% pressionado por dados fortes do payroll americano (que reduzem expectativas de cortes de juros pelo Fed) e pela ata do COPOM sinalizando juros elevados no Brasil por período prolongado
- Mercados globais já demonstravam fragilidade antes da notícia sobre Powell
EXPECTATIVAS PARA OS PRÓXIMOS PREGÕES:
Curto Prazo (esta semana):
- Volatilidade elevada deve persistir até haver clareza sobre a investigação contra Powell
- Ibovespa em compasso de espera, com viés de oscilação entre 120.000 e 125.000 pontos
- Atenção a declarações de autoridades do Fed e possíveis comunicados oficiais
Médio Prazo (próximas semanas/meses):
- Mercados brasileiros devem permanecer lateralizados até maior definição do cenário eleitoral 2026
- Manutenção de juros elevados tanto no Brasil (Selic) quanto nos EUA (Fed Funds) deve limitar apetite por risco
- Setores defensivos e pagadores de dividendos podem se destacar
- Commodities e ouro: tendência de alta enquanto incertezas persistirem
MONITORAR:
- Desdobramentos da investigação sobre Jerome Powell
- Eventuais manifestações de membros do FOMC sobre política monetária
- Dados de inflação nos EUA e Brasil nas próximas semanas
- Posicionamento de candidatos nas eleições brasileiras 2026
RECOMENDAÇÃO GERAL: Em ambiente de elevada incerteza, estratégias defensivas são recomendadas: diversificação, exposição a ativos reais (ouro, imóveis), títulos de renda fixa de qualidade e cautela com alavancagem. Investidores de longo prazo podem aproveitar correções pontuais para posicionamento gradual, mas sem precipitação.