A dúvida entre investir na poupança ou migrar para a renda fixa é mais comum do que você imagina. Milhões de brasileiros ainda mantêm todo seu dinheiro na caderneta de poupança por costume, segurança ou simplesmente por não conhecerem outras alternativas tão seguras e acessíveis quanto ela.
Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano desde junho de 2025, o cenário de juros altos voltou a dominar as manchetes econômicas. Esse contexto traz implicações diretas para quem tem dinheiro guardado, seja na poupança ou em outros investimentos de renda fixa.
Mas afinal, com os juros nesse patamar elevado, ainda vale a pena investir na poupança? Ou existem alternativas em renda fixa que oferecem mais rentabilidade sem aumentar significativamente o risco?
Neste artigo, vamos comparar de forma clara e objetiva essas duas opções, explicando como cada uma funciona, suas vantagens e limitações, e principalmente, qual pode fazer mais sentido para o seu perfil e objetivos financeiros neste momento.

O Que é a Poupança
A caderneta de poupança é o investimento mais tradicional e popular do Brasil. Criada há mais de 150 anos, ela conquistou a confiança dos brasileiros pela simplicidade, segurança e facilidade de uso. Para muitas pessoas, especialmente as que estão começando a poupar dinheiro, a poupança representa o primeiro contato com o mundo dos investimentos.
Como Funciona a Poupança
O funcionamento da poupança é bastante simples. Você deposita dinheiro em uma conta poupança no banco e esse valor passa a render juros mensalmente. O rendimento é creditado no chamado “aniversário da poupança”, que é o dia do mês em que você fez o depósito.
Atualmente, com a Selic em 15% ao ano (acima de 8,5%), a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), que hoje está próxima de zero. Na prática, isso significa um rendimento de aproximadamente 6% ao ano.
Uma característica importante: se você sacar o dinheiro antes do aniversário mensal, perde todo o rendimento do período. Por isso, é importante planejar quando depositar e quando resgatar.
Vantagens da Poupança
A poupança tem alguns atrativos inegáveis. O primeiro é a simplicidade: não é preciso ter conhecimento técnico algum para começar a investir. Basta ter uma conta no banco e transferir o dinheiro para a poupança.
Outra grande vantagem é a isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos. Isso significa que todo o ganho é seu, sem descontos. Além disso, a poupança tem liquidez diária, ou seja, você pode sacar quando quiser (embora perca os rendimentos do mês se fizer isso antes do aniversário).
A segurança também é um ponto forte. A poupança é garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Mesmo que o banco quebre, seu dinheiro está protegido até esse limite.
Limitações da Poupança
Apesar das vantagens, a poupança tem limitações importantes. A principal delas é a rentabilidade. Com o rendimento atual de cerca de 6% ao ano, ela fica abaixo de outras opções de renda fixa disponíveis no mercado.
Outro ponto é que o rendimento só acontece no aniversário mensal. Se você precisar do dinheiro antes dessa data, perde completamente o ganho do período. Isso pode ser frustrante em situações de emergência.
Por fim, em momentos de inflação elevada, a poupança pode não proteger adequadamente seu poder de compra, mesmo sendo isenta de impostos.
Quando a Poupança Pode Fazer Sentido
A poupança ainda faz sentido em algumas situações específicas. Para quem está começando do zero e tem receio de investimentos, ela pode ser uma porta de entrada para criar o hábito de poupar.
Também pode ser útil para guardar pequenos valores de forma prática, sem se preocupar com prazos ou estratégias mais complexas. Para quem não tem tempo ou disposição para estudar outras alternativas, a simplicidade da poupança pode ser um diferencial.
No entanto, para quem busca fazer o dinheiro render mais e está disposto a dedicar alguns minutos para entender outras opções, a renda fixa hoje oferece alternativas superiores.
O Que é Renda Fixa
Renda fixa é um conjunto de investimentos onde você empresta seu dinheiro para uma instituição (governo, bancos ou empresas) e, em troca, recebe uma remuneração. O termo “fixa” não significa que o valor do rendimento é sempre o mesmo, mas sim que as regras de remuneração são definidas no momento da aplicação.
Em um cenário de juros altos como o atual, a renda fixa se torna especialmente atrativa porque os rendimentos tendem a acompanhar o aumento da Selic, oferecendo ganhos superiores aos da poupança.
Principais Opções de Renda Fixa
Tesouro Direto é o programa do governo federal que permite que qualquer pessoa compre títulos públicos pela internet. É considerado o investimento mais seguro do Brasil, pois é garantido pelo governo. Existem diferentes tipos de títulos, como o Tesouro Selic (que acompanha a taxa básica de juros) e o Tesouro Prefixado (onde você trava uma taxa fixa de rendimento).
CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos para captar recursos. Quando você investe em um CDB, está emprestando dinheiro para o banco, que devolve com juros. Muitos CDBs pagam um percentual do CDI, que geralmente fica próximo da Selic. É comum encontrar CDBs que pagam 100% do CDI ou até mais, dependendo da instituição.
LCI e LCA são Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. Funcionam de forma similar ao CDB, mas têm uma grande vantagem: são isentos de Imposto de Renda para pessoa física. Isso significa que, mesmo rendendo um pouco menos que um CDB, podem ser mais vantajosos na prática devido à isenção fiscal.
Vantagens da Renda Fixa Hoje
Com a Selic em 15% ao ano, investimentos atrelados a ela ou ao CDI se tornam muito atrativos. Um CDB que paga 100% do CDI, por exemplo, rende significativamente mais que a poupança, mesmo após o desconto do Imposto de Renda.
A renda fixa oferece também mais flexibilidade. Você pode escolher entre títulos de curto, médio ou longo prazo, prefixados ou pós-fixados, com liquidez diária ou sem. Essa variedade permite montar uma estratégia mais alinhada com seus objetivos.
Muitas opções de renda fixa também contam com a garantia do FGC, oferecendo o mesmo nível de segurança da poupança. E, em alguns casos, como nas LCIs e LCAs, você ainda tem isenção de Imposto de Renda.
Riscos e Considerações
Embora a renda fixa seja considerada segura, é importante entender alguns pontos. O Imposto de Renda incide sobre os rendimentos de alguns títulos (como CDB e Tesouro Direto), seguindo uma tabela regressiva que vai de 22,5% (para aplicações de até 6 meses) até 15% (para aplicações acima de 2 anos).
Alguns títulos têm prazo de carência ou vencimento, o que significa que você pode não conseguir resgatar o dinheiro imediatamente sem perder rentabilidade ou até ter prejuízo. Por isso, é importante escolher produtos alinhados com seu prazo e necessidade de liquidez.
Investimentos em renda fixa de instituições menores ou menos conhecidas podem oferecer rentabilidade maior, mas também carregam um risco um pouco maior. Sempre verifique se o investimento tem garantia do FGC e pesquise a solidez da instituição.
Comparação Direta: Renda Fixa x Poupança

Vamos comparar essas duas opções considerando os principais critérios que importam para quem está começando a investir.
Rentabilidade
A poupança rende hoje aproximadamente 6% ao ano (0,5% ao mês + TR). Já um CDB que paga 100% do CDI renderia cerca de 14% ao ano bruto. Mesmo descontando o Imposto de Renda de 15% (para aplicações acima de 2 anos), o rendimento líquido seria próximo de 12% ao ano.
Uma LCI ou LCA que pague 90% do CDI, por ser isenta de IR, renderia aproximadamente 12,6% ao ano líquido. Ou seja, praticamente o dobro da poupança.
No Tesouro Selic, que rende 100% da Selic (15% ao ano), o rendimento líquido após IR seria também superior ao da poupança, chegando a cerca de 12,75% ao ano para quem mantém o investimento por mais de 2 anos.
Segurança
Tanto a poupança quanto grande parte dos investimentos de renda fixa contam com a proteção do FGC até R$ 250 mil por CPF e por instituição. O Tesouro Direto é ainda mais seguro por ser garantido pelo governo federal.
Portanto, em termos de segurança, não há diferença significativa entre essas opções, desde que você escolha investimentos com garantia do FGC ou títulos públicos.
Liquidez
A poupança oferece liquidez diária, mas você perde o rendimento se resgatar antes do aniversário mensal. O Tesouro Selic também tem liquidez diária e você não perde nada ao resgatar, tornando-o uma excelente opção para reserva de emergência.
Muitos CDBs têm liquidez diária, permitindo resgate a qualquer momento. Outros podem ter prazo de carência ou vencimento fixo. É importante verificar essas condições antes de investir.
LCIs e LCAs geralmente têm prazo de carência de 90 dias, período no qual você não pode resgatar o dinheiro. Isso as torna menos indicadas para quem pode precisar do valor rapidamente.
Acessibilidade
A poupança é extremamente acessível. Você pode começar com qualquer valor e não precisa de conhecimento técnico. O Tesouro Direto também é muito acessível, com investimento mínimo a partir de cerca de R$ 30.
CDBs, LCIs e LCAs podem ter valores mínimos mais altos, variando de acordo com a instituição. Mas muitas plataformas de investimento oferecem opções com aplicação mínima baixa, tornando a renda fixa cada vez mais democrática.
Qual Faz Mais Sentido Hoje?

Com a Selic em 15% ao ano, a renda fixa está especialmente vantajosa. Os investimentos atrelados aos juros altos oferecem rentabilidade significativamente superior à da poupança, mantendo níveis similares de segurança.
Para quem tem uma reserva de emergência ou dinheiro que pode ficar guardado por alguns meses, migrar para opções como Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária faz sentido. O ganho extra pode representar centenas ou milhares de reais a mais por ano, dependendo do valor investido.
Se você busca isenção de Imposto de Renda e pode deixar o dinheiro aplicado por pelo menos 90 dias, as LCIs e LCAs são excelentes alternativas que superam a poupança mesmo rendendo um percentual menor do CDI.
No entanto, a escolha ideal depende do seu perfil e objetivos. Se você está começando do zero, tem valores muito pequenos e ainda não se sente confortável com outras opções, a poupança pode ser um ponto de partida. O importante é começar a poupar.
Mas se você já tem alguma quantia guardada e deseja fazer seu dinheiro trabalhar melhor para você, vale a pena dedicar um tempo para conhecer a renda fixa. A diferença de rentabilidade ao longo dos anos pode ser decisiva para alcançar seus objetivos financeiros.
Conclusão
A dúvida entre renda fixa ou poupança é comum, mas a resposta fica mais clara quando entendemos como cada opção funciona e analisamos o cenário econômico atual.
A poupança tem seu valor pela simplicidade, segurança e tradição. Ela cumpre bem o papel de introduzir as pessoas ao hábito de poupar. No entanto, em um contexto de juros altos, ela deixa dinheiro na mesa ao oferecer rentabilidade inferior a outras alternativas igualmente seguras.
A renda fixa hoje apresenta oportunidades interessantes para quem busca fazer o dinheiro render mais. Com opções que vão desde o Tesouro Direto até CDBs, LCIs e LCAs, é possível encontrar investimentos que se encaixam em diferentes perfis e necessidades, sempre com segurança e transparência.
O mais importante é dar o primeiro passo. Comece pelo que faz mais sentido para você agora, seja a poupança ou a renda fixa. O fundamental é criar o hábito de poupar e, aos poucos, ir aprendendo mais sobre educação financeira e explorando novas alternativas.
Lembre-se: não existe investimento perfeito para todo mundo. Existe o investimento mais adequado para o seu momento, seus objetivos e seu nível de conhecimento. E conforme você aprende mais sobre o tema, pode ir ajustando suas escolhas.
O cenário de juros altos não durará para sempre. Aproveite esse momento para fazer seu dinheiro render melhor, mas sempre respeitando sua realidade financeira e seu nível de conforto. Planejamento e conhecimento são seus maiores aliados na jornada rumo à saúde financeira.